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"Meus direitos, meus direitos, meus direitos"... sempre "meus direitos".

O Brasil é um país onde exigir direitos é praxe, mas cumprir deveres um sacrilégio. Mesmo quando não existe direito algum a ser exigido, ainda assim, exige-se que se cumpra o tal do "meus direitos".

Aqui no Distrito Federal, além do ENEM, os estudantes do ensino médio possuem também a oportunidade de ingressar na UnB (Universidade de Brasília) por meio do Programa de Avaliação Seriada, o PAS. O Programa consiste na realização de uma prova semelhante a um vestibular ao final de cada ano letivo durante o ensino médio. Ao término dos três anos, tendo sido aprovado, o estudante ingressa na Universidade. Como em qualquer processo de seleção pública, o edital do exame prever que pessoas com dificuldades psíquicas ou limitações físicas, tenham condições especiais para realização da prova, no dia do exame.

Pois bem, eis o direito: os que comprovadamente precisam, tem direito garantido de realizar a prova em condições especiais. Todavia, eis também o dever, claro e expresso no edital da seleção: comprovar tal necessidade.

A equação é simples, três passos apenas: 1) Existe um direito a mim assegurado; 2) cumpro as exigências para garanti-lo; 3) usufruo do direito. Mas, peculiaridades do Brasil, aqui entende-se apenas o primeiro e terceiro passo, não se importando tanto com o passo dois! Tudo se resume ao mantra dos endireitados, ou seja, os empoderados de direitos: "meus direitos, meus direitos, meus direitos" e no fim, mesmo que não haja direito algum, ainda haverá alguém para clamar por "meus direitos, meus direitos, meus direitos".

Vamos aos fatos, que logo entendemos a questão.

No último dia 03/12, quando foi realizado a prova do PAS de 2016, dois alunos com necessidades especiais foram impedidos de realizar o exame. Motivo: não cumpriram todas as etapas do edital para garantir a realização da prova em condições especiais. Durante o processo de inscrição, apresentaram documentos médicos vencidos para atestar a deficiência e no dia da prova, exigiam o direito de portar aparelho auditivo e lupa, respectivamente.

Pergunto: devemos ser inclusivos ou permissivos? Inclusivo e permissivo ao mesmo tempo? Nenhum dos dois? Ou, como manda o figurino, assegurar o rigor da regra garantir a segurança do exame?

Creio que agiram legitimamente os fiscais de prova que impediram a utilização dos recursos especiais por parte do estudantes que não cumpriram o legítimo dever mas exigiam o legítimo direito, como afirmou Marilene Marques, 46, mãe do estudante impedido de usa a lupa: “Eu achei muito triste ele não poder usar uma coisa que é de direito dele”.

"Meus direitos, meus direitos, meus direitos"...

Explicações do Cespe/Cebraspe, organizador da prova, ao caderno Eu, estudante do Correio Braziliense:

Em nota, o Cespe explicou que, conforme previsto no edital, o atendimento especial deve ser requerido previamente com toda a documentação necessária e que, no caso dos dois candidatos, esses dados não estavam atualizados. De acordo com o órgão, os laudos haviam sido emitidos há mais de 10 anos, no caso de Brenda, e há mais de 20 meses no de João Victor. O edital pede laudo emitido nos últimos 12 meses. Sobre a proibição da entrada com o aparelho auditivo e com a lupa, o órgão informou que só é permitida a entrada com itens previstos no edital.

Quem disse que o Brasil não tem seu apartheid?!


O fenômeno dos rolezinhos está expondo a face mais sórdida da sociedade brasileira.

Consciente ou inconsciente, estes jovens estão dizendo: nós existimos! E, então, agora, estamos diante de um problema: temos conhecimento e não podemos mais negar a existência de milhares de segregados em nossa sociedade, excluídos de direitos e destituídos do papel de cidadão, que habitam nossas favelas e periferias.

O problema que há tanto tempo buscamos esconder, ocultar e fazer vista grossa, bate agora a nossa porta, invadindo as ilhotas de consumo destinadas ao deleite da burguesia.

Frente aos fatos, podemos argumentar de todas as maneiras contra os rolezinhos, inclusive, contar com os préstimos da Polícia Militar para espancar estes jovens, mas não podemos mais voltar à comodidade de nossa hipocrisia, fingido desconhecer o problema.

Leia o relato da segregação:

Arrogância religiosa.

 A máxima de Jesus sempre foi a humildade, não julgue para não ser julgado. Ao logo do tempo, no entanto, os templos que ergueram-se em torno de seu nome, fizeram de seus altares verdadeiros tribunais e de seus fiéis, impiedosos juízes.

Atirem a primeira pedra quem nunca errou, foi assim que Jesus contestou a fúria insandecida daqueles que a todo custo, enxergavam o mal do outro e nunca o seu próprio. Estes são os homens que tempos atrás crucificaram o Cristo, e hoje transfiguram os ensinamentos do grande mestre para sustentarem uma rígida moral.

Querem apedrejar o homossexual, censuram a prostituta, condenam os comunistas e ateus, e carregam consigo a certeza cega dos donos da razão. É assim que expõem de seu íntimo o pior dos ranços: a arrogância!

Porque não abandonam a altura de seus pedestais para vivenciar a própria natureza humana, que é a do erro, da fraqueza, do medo? Mas, antes de tudo, porque não descem à condição de humanos, para também compreender, perdoar, comprazer-se com o outro, assim como fez o mais humanos de todos os humanos?

Não conhecem a faceta humana de Cristo, por isso, não conseguem enxergar em si a própria humanidade. Que seja como as palavras de um sábio: "aos outros dou o direito de ser como são; a mim, o dever de ser cada dia melhor".

Pare de bater palmas, Bono! The Frontman: Bono (In the Name of Power)

Um livro ilustrativo do que eu disse há pouco tempo aqui, em Porque cantamos Sunday bloody sunday, já está no mercado internacional. Trata-se de The Frontman: Bono (In the Name of Power), do jornalista irlandês Harry Browne, que questiona duramente as intenções filantrópicas do grande astro do rock!
Para Browne, o discurso de Bono Vox não passa de um belo eco ao coro das elites dominantes, que encampam a bandeira do ajudar para nada mudar! E questiona, bonito, a seriedade de caráter do vocalista:
"Como falar seriamente de uma figura que num dia encontra-se com os líderes da Grã-Bretanha, e, 24 horas depois, leva seu ex-estilista aos tribunais para reaver um chapéu? Um cara que de manhã te vende um iPod e à noite uma proposta de paz para a Irlanda?"  

Par entender o título deste post:

Segundo uma história dublinense não comprovada, em um show do U2, em Glasgow, Bono pediu silêncio à plateia, começou a bater palmas devagar e falou: "Cada vez que bato palmas, uma criança morre na África". Uma voz gritou na multidão: "Então, porra!, pare de bater palmas".

Mais detalhes, leia aqui.

Por que cantamos Sunday bloody Sunday...

Fortuna de Bono Vox - Sunday bloody sunday

Algumas coisas me chamam a atenção na mídia e eu corro cá para publicar. Afinal, é esta a única finalidade deste espaço: dar vazão aquilo que penso. E o uso que faço dele é o meu exercício de reflexão, por isso não tenho respostas para o que publico, mas questionamentos.

E neste momento, estou questionando sobre os contrastes entre a riqueza e a pobreza, mas especificamente, entre os excessos de riqueza e os excessos de pobreza no mundo. Estou tentando entender qual a relação entre estas duas variantes e se uma não é determinante para outra, e como podemos combater a segunda, sem abrir mão da primeira.

O que me levou a tal questionamento, foi esta notícia na Folha de São PauloQueda de ações do Facebook faz de Bono ex-bilionário.

Bono Vox é vocalista de uma das bandas de rock mais conhecidas do mundo e é também ilustre ativista social. Em suas letras de músicas fala sobre a fome na África e das injustiças sociais no mundo. Por meio de sua ação, conscientiza e mobiliza seus fãs contra essas coisas e também ganha muito, mas muito dinheiro mesmo. Ele é o segundo cantor mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 600 milhões de dólares. Em reais, nos dias de hoje, quase 1,2 bilhão... isso é tanto dinheiro, que se ele resolvesse dividir sua fortuna entre todos os brasileiros, tocaria 6 mil reais para cada um.

Claro, se ele fizer isso, além de não resolver o problema de ninguém, ainda será mais um miserável no mundo. Mas como condenar a miséria, vivendo com tanto mais que aquilo que precisamos para viver? Me parece uma incoerência. É como durante a campanha de Al Gore para presidência dos EUA, em 2000, quando foi 'descoberto' que, apesar de o candidato ser um fervoroso defensor das causas ambientais, possuía uma mansão que mensalmente consumia mais energia elétrica do que uma cidade inteira com cinco mil habitantes.

Os recursos de nosso planeta são limitados, apesar de suficientes para todos. Se geridos de forma racional , nenhum ser humano no mundo passaria fome. Mas a lógica do lucro, do capital e da ganância, concentram os recursos da Terra nas mãos de poucos.

Fortunas como esta, que ostenta o vocalista do U2, consomem  muito mais recursos do planeta do que retribuem a ele. Servem também para manter estruturas sociais injustas. Criam hierarquia entre seres humanos e propiciam a dominação e a distinção entre 'melhores' e 'piores', 'superiores' e 'inferiores'... tanto nas esferas do nosso dia-a-dia, quanto em escalas globais, com países ricos e países pobres.

Grandes fortunas assim, fazem cada vez mais seus donos mais ricos e cada vez mais milhares de pessoas mais pobres. Quando poucos se apossam de muito, muitos ficam com pouco.

Acho que é por isso que temos motivos para cantar sunday bloody sunday...

Sociedade obscena e pornográfica, pune a obscenidade e a pornografia.

Contradições desta nossa sociedade estranha: ator Fred Willard é preso por se masturbar enquanto assistia a um filme pornô, em cinema de Los Angeles. Provavelmente, esperavam que ele tivesse ido ao cine pornô rezar um terço e não entenderam quando o encontraram com o 'piru' na mão. Foi enquadrado e vai responder por ato obsceno.

Fico pensando se neste caso, o elenco do filme, assim como o direitor, o produtor, o dono do cinema, cinegrafistas e legisladores que permitem a produção e exibição de filmes pornográficos, não deveriam ir em cana também?

Que sociedade é essa que institui a obscenidade e a pornografia, e pune seus resultados?

Muda, mundo!

Onde estão os limites do preconceito?

Existe uma ideia de que o preconceito só é preconceito mesmo se houver intenção... digamos assim, maldade na ação. Eu discordo veementemente deste ponto de vista. Não existe ação que não parta de uma intenção e o problema reside aí, em quanto esta intenção está carregada daquele preconceito que nem a própria pessoa percebe. É a tal história das piadinhas sobre negros, loiras, gays e por aí vai. No final, justifica-se assim: "eu tenho muitos amigos negros"...

Estou trazendo esta questão ao blog por que está circulando na WEB uma questão que tem tudo a ver com isso. A fabricante de cosméticos Nívea lançou campanha de uma nova linha de produtos com a imagem de um homem negro, que sugere o esterótipo do ocidental bem sucedido, arremessando uma cabeça de outro homem negro, estilo afro. O slogan é "re-civilize". Os protestos tomaram a página da Nívea no Facebook e há partidários dos dois lados. A campanha da Nívea é quase sutil, e há quem defenda a seguinte tese: se fosse um branco arremessando um branco, passaria despercebido. Ora, é justamente esta a questão: porque um negro, então?

Caso parecido aconteceu há pouco tempo em uma campanha da Dove, que jurou de pés juntos "não tolerar qualquer atividade ou imagens de insultos intencionais". Suas conclusões, você tira abaixo: