
Confesso que essa história de acabar com as sacolinhas nos supermercados me incomodou mais do que deveria. Não porque eu seja contrário à preservação ambiental — ao contrário. É evidente que precisamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para salvar o pouco de planeta que ainda nos resta, mesmo que isso implique abrir mão de comodidades úteis, ainda que indesejáveis, como as sacolinhas plásticas.
Mas convém pensar com um pouco mais de cuidado. Será mesmo que as sacolinhas são as grandes vilãs do meio ambiente? E, sobretudo, quem ganha e quem perde quando elas desaparecem de vez? A resposta não é difícil: os donos de supermercados ganham muito; a natureza e você, consumidor, ganham bem menos.
Sempre que surgem medidas desse tipo, fico com uma pulga atrás da orelha. Comprar um produto e sair com ele minimamente embalado me parece um direito elementar do consumidor. A partir do momento em que, além de pagar pela mercadoria, sou compelido a pagar também pela embalagem, algo soa estranho. Não chega a ser escandaloso, mas definitivamente é suspeito.
Daí nasce minha primeira hipótese — e talvez a mais plausível: há dedo de lobbies do varejo nessa história. Grupos econômicos interessados em reduzir custos e ampliar margens de lucro, travestindo conveniência empresarial de virtude ambiental. Essas leis “engana-bobo”, que parecem uma coisa, mas são outra, não são novidade. Se a preocupação fosse genuinamente ecológica, por que não impor ao supermercado parte do ônus, exigindo, por exemplo, a distribuição gratuita de sacolas realmente sustentáveis?
Sinceramente, por maior que seja o apelo verde da medida, não consigo engolir. Acabar com sacolinhas plásticas pode até soar bem no discurso, mas preservar o meio ambiente nunca foi — nem será — uma prioridade do capitalismo. Enquanto persistir nossa ignorância ecológica, que no fundo alimenta o desvario do consumo, continuarão a surgir essas soluções paliativas: medidas inócuas, que pouco resolvem e apenas maquiam os problemas reais que o planeta enfrenta.